A moça feia sorria
e debruçava na janela,
tanta era a alegria
que a banda causava nela
Ninguém contava estrelas
pra lua ninguém ligava,
inguém via rosa triste
só a band que passava
Minha pequena Lulu
ficava de lá pra cá,
virando retreta a rua
Boaventura de Sá
Mas para o meu desencanto
o que era doce acabou,
passou todo aquele encanto,
a vida também passou
No destino ninguém manda
noutras terras vim morar
e nunca mais vi a banda
com seu Djalma passar
Era um tempo em que ninguém
andava à toa na vida
numa cidade bonita
toda de verde, vestida
A cidade tinha banda
o mestre era seu Djalma
que desfilava espalhando
alegria a toda alma
Todos nós, em nossa casa
ao ouvir o som da banda
corríamos, alvoraçados
para vê-la, da varanda
Quando ela aparecia
lá pros lados do mercado,
descia a ladeirinha
com seu Djalma de lado
Os velhinhos suspiravam,
a meninada sorria,
moços e moças sonhavam
e a marcha alegre insistia.
Inah Bezerra
Posted at 11:25 am by Idalia
Quando as minhas angústias
começam a morder-me
ponho-lhes a trela
saio à rua a passea-las
e deixo-as ladrar
ao tédio transeunte.
Depois ponho-lhes asas
e deixo-as voar
como pássaros
em busca de primaveras
imprevisíveis.
António Tomé (Poeta Africano)
Posted at 1:02 pm by Idalia
Quero para mim
uma casa que eu
possa construir,
montar as peças
como brinquedos
de infância.
Quero uma casa
com cheiro de infância
e das madeiras dos brinquedos.
A minha casa eu quero que se chame
casa mesmo,
e que tenha dentro dela
um lugar de dentro de mim.
Priscila Fernandes
Posted at 12:52 pm by Idalia